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E agora chegou a vez de listarmos grandes enredos desses 35 anos de desfiles na Marquês de Sapucaí. Entre temas clássicos, históricos, modernos, futuristas e revolucionários, destacamos abaixo os 10 enredos escolhidos por nós como os melhores:  IMPERATRIZ 81 - "O TEU CABELO NÃO NEGA" (AUTOR: ARLINDO RODRIGUES)  IMPÉRIO SERRANO 83 - "MÃE BAIANA MÃE" (AUTOR: FERNANDO PAMPLONA / DESENVOLVIMENTO: RENATO LAGE)  MOCIDADE 83 - "COMO ERA VERDE MEU XINGU" (AUTOR: FERNANDO PINTO)  MOCIDADE 85 - "ZIRIGUIDUM 2001 - CARNAVAL NAS ESTRELAS" (AUTOR: FERNANDO PINTO)  BEIJA-FLOR 85 - "A LAPA DE ADÃO E EVA" (AUTOR: JOÃOSINHO TRINTA)  VILA ISABEL 87 - "RAÍZES" (AUTOR: MAX LOPES)  MOCIDADE 87 - "TUPINICÓPOLIS" (AUTOR: FERNANDO PINTO)  BEIJA-FLOR 89 - "RATOS E URUBUS LARGUEM MINHA FANTASIA" (AUTOR: JOÃOSINHO TRINTA)  SALGUEIRO 91 - "ME MASSO SE NÃO PASSO PELA RUA DO OUVIDOR" (AUTORA: ROSA MAGALHÃES)  IMPERATRIZ 94 - "CATARINA DE MÉDICIS NA CORTE DOS TUPINAMBÔS E TABAJERES" (AUTORA: ROSA MAGAHÃES) Para chegarmos aos escolhidos, partimos de uma lista enorme, com dezenas de possibilidades. Assim sendo, acreditamos que o leitor possa discordar de um ou outro enredo. Por isso, faça a sua lista e veja como é difícil chegar aos 10 melhores. Até a próxima! Marcelo Guireli e Marcelo Pires *Fotos: Revista Manchete, O Globo, Corbis e Brazil Photos Dando continuidade às lembranças do que melhor aconteceu na Marquês de Sapucaí em seus 35 carnavais, hoje chegou a vez de listarmos as alas das baianas que mais nos impressionaram. Partimos de uma lista de mais de 100 possibilidades e, para chegarmos a 10, foi um sofrimento, afinal, as baianas sempre merecem o nosso carinho. Mas vamos às escolhidas! AS 10 MELHORES ALAS DAS BAIANAS:  IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 1980 - "O QUE É QUE A BAHIA TEM" (CARNAVALESCO: ARLINDO RODRIGUES) IMPERATRIZ LEPOLDINENSE 1981 - "O TEU CABELO NÃO NEGA" (CARNAVALESCO: ARLINDO RODRIGUES)  IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 1982 - "ONDE CANTA O SABIÁ" (CARNAVALESCO: ARLINDO RODRIGUES) BEIJA-FLOR 1983 - "A GRANDE CONSTELAÇÃO DAS ESTRELAS NEGRAS" (CARNAVALESCO: JOÃOSINHO TRINTA)  MOCIDADE INDEPENDENTE 1985 - "ZIRIGUIDUM 2001" (CARNAVALESCO: FERNANDO PINTO)  SALGUEIRO 1990 - "SOU AMIGO DO REI" (CARNAVALESCA: ROSA MAGALHÃES)  MOCIDADE INDEPENDENTE 1990 - "VIRA, VIROU, A MOCIDADE CHEGOU (CARNAVALESCOS: RENATO LAGE e LÍLIAN RABELO)  SALGUEIRO 1994 - "RIO DE LÁ PRA CÁ" (CARNAVALESCO: ROBERTO SZANIECKI)  IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 1997 - "EU SOU DA LIRA, NÃO POSSO NEGAR" (CARNAVALESCA: ROSA MAGALHÃES)  IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 2000 - "QUEM DESCOBRIU O BRASIL FOI SEU CABRAL, NO DIA 22 DE ABRIL, DOIS MESES DEPOIS DO CARNAVAL" (CARNAVALESCA: ROSA MAGALHÃES) Marcelo Guireli e Marcelo Pires * Fotos: Revista Manchete, Ag. O Globo, Fazendo Carnaval, Argos  União da Ilha desfilando na Marquês de Sapucaí, em 1978 - Quarto lugar com o enredo: "O Amanhã" No dia 05 de fevereiro de 1978 foi realizado o primeiro desfile das grandes Escolas de Samba na Rua Marquês de Sapucaí. Em 2012, portanto, a festa na velha rua (desde 1984 transformada em Passarela do Samba) completou 35 carnavais. Pensando nisso, por sugestão do amigo e xará Marcelo Pires, resolvemos fazer uma “brincadeira séria”, relembrando o que de melhor aconteceu nesses tantos carnavais. Quais foram as mais belas alas das baianas? Quais os sambas mais bonitos? Quais foram os melhores enredos? Essas foram algumas das perguntas que nos fizemos e, em várias categorias, elegemos os 10 melhores. Nem sempre houve concordância entre nós e, quando isso não aconteceu, debatemos até chegarmos ao número máximo que pré-determinamos. Nas próximas semanas, estarei publicando aqui nossas opiniões a respeito de várias particularidades e quesitos. Claro que isso é uma brincadeira, pois o tempo acaba nos afastando da realidade dos desfiles, mas vale como resgate da memória desses 35 carnavais realizados na Marquês de Sapucaí. OS 10 MELHORES SAMBAS DE ENREDO:  1989 - Imperatriz Leopoldinense desfila com o seu excelente samba-enredo: "Liberdade, Liberdade, Abre as Asas sobre Nós" SALGUEIRO 1978 – “Do Yorubá à Luz, a Aurora dos Deuses” – Autor: Renato de Verdade PORTELA 1979 – “Incrível, Fantástico, Extraordinário” – Autores: David Correa, J. Rodrigues e Tião Nascimento UNIÃO DA ILHA 1982 – “É Hoje” – Autores: Didi e Mestrinho IMPÉRIO SERRANO 1982 – “Bumbum Paticumbum Prugurundum” – Autores: Beto Sem Braço e Aluísio Machado IMPÉRIO SERRANO 1983 – “Mãe Baiana Mãe” – Autores: Beto Sem Braço e Aluísio Machado VILA ISABEL 1984 – “Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira” – Autor: Martinho da Vila PORTELA 1987 – “Adelaide, a Pomba da Paz” – Autores: Neném, Mauro Silva, Arizão, Isaac e Carlinhos Madureira MANGUEIRA 1988 – “Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão” – Autores: Hélio Turco, Jurandir e Alvinho SALGUEIRO 1989 – “Templo Negro em Tempo de Consciência Negra” – Autores: Alaor Macedo, Helinho do Salgueiro, Arizão, Demá Chagas e Rubinho do Afro IMPERATRIZ 1989 – “Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós” – Autores: Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir Faça a sua lista, amigo internauta, e até a próxima postagem, com o melhor da Sapucaí em seus 35 carnavais. Marcelo Pires e Marcelo Guireli * Foto 1 - Revista Manchete * Foto 2: Carlos Ivan (O Globo)  Eu era menino e hoje recordo as estórias que vovô contava. O pavão misterioso foi Evangelista quem mandou construir. Este ano, Renato Lage, o carnavalesco projetista, conquistou mais que a filha do conde, encantando a Sapucaí com uma fantástica alegoria. A bordo de seu pavão, observemos o carnaval que passou.  Hora da decolagem. Ao sairmos do solo, ainda sob o esforço de lentas pedaladas, observamos uma pálida homenagem a um artista que parece ter esquecido o Brasil. Logo, porém, alçamos voo alto e avistamos uma poderosa águia dourada, que nos guiou até a Bahia para com ela subirmos em festa o Pelô. E a festa estava animada, embora a decoração deixasse um pouco a desejar. É que um maldoso rato havia comido o dinheiro e tudo acabou ficando por conta da animação e do som dos tambores. Ainda na Bahia, encontramos uma confusa imperatriz, que nos ofereceu acarajé temperado no axé e dendê. Uma pena ter faltado a pimenta! Mas já era hora de sobrevoarmos todo o Brasil. Descendo o mapa, chegamos ao estado de São Paulo, terra de Portinari. Nossos motores agora estavam a pleno vapor, pois precisávamos alcançar o firmamento para entender a magia de um artista abençoado. Um belo momento de nossa viagem! Lá do alto, ainda admirados com o Brasil visto em telas, enxergamos um tímido tigre acompanhado de uma mãe loba, mas nosso pavão estava com pressa e precisava alcançar São Luís do Maranhão. O pouso em São Luís não foi dos mais tranqüilos. Fomos recebidos por terríveis monstros, que nada tinham a ver com a alegria do lugar. Felizmente, a longa viagem que estava por vir nos traria cores mais alegres e momentos mais felizes. Chegamos a Angola cansados, mas fomos recebidos por um maravilhoso séquito de animais e por uma brava gente que, enfeitada sob estampas multicoloridas, cantava e sambava ao amanhecer do dia. Queríamos continuar festejando, afinal aquele era o melhor momento de nossa jornada, mas precisávamos desligar os motores e sonhar... Horas mais tarde, já estávamos voando mundo afora novamente. Dessa vez, viajamos na magia de uma grande e bonita aventura musical. Puxa, Aqui Paris! Foi o maior barato! E entre lendas, mitos e magias, seguimos rumo a Londres. A bordo, prometeram servir feijoada com molho inglês, mas, lamentavelmente, só conseguimos tomar um saboroso Chá das Cinco. Tal como o coelho de Alice, estávamos atrasados e tínhamos hora marcada para o nosso pouso, pois nosso pavão precisava juntar-se aos seus amigos para a grande festança do cordel branco e encarnado. A Onça Caetana estava nervosa à nossa espera e o Boi Mandingueiro chegou a bufar em nossa direção, mas, felizmente, tudo deu certo e nossa passagem pela pista foi um sucesso! Mais uma vez voando alto, vimos sambistas passando, o nobre rezando e o povo a cantar. Com um nó na garganta, choramos de emoção. Lá no céu, encontramos Luiz Gonzaga viajando em outro pavão. Esse pavão, outrora tradicional e agora pop, era comandado por um piloto um tanto vaidoso, que para fazer graça colocou o nosso rei do baião na classe econômica, enquanto outros reis menos importantes nos acenavam saltitantes da primeira classe. Pode? Superando turbulências geradas por ideias de muito mau gosto, pousamos em terra firme. Era o fim de mais um Carnaval... Marcelo Guireli Fotos: Riotur  As Escolas de São Paulo, apesar de não contarem com uma safra de sambas das mais inspiradas, realizaram este ano um belo carnaval. Três agremiações se destacaram das demais na luta pelo campeonato: Vai-Vai, Rosas de Ouro e Mocidade Alegre. Um pouco atrás, a Mancha Verde também conseguiu impressionar, graças sobretudo à força de seu enredo (Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odú Obará: a Humildade) e ao seu belo samba, cantado com bastante entusiasmo e emoção no dia do desfile. Na tumultuada apuração realizada na terça-feira de carnaval, a justiça de Xangô parece ter premiado a escola que mais mereceu o campeonato. Guiada pela luz de Ifá, a guerreira e alegre Mocidade havia realizado um desfile quase perfeito no sábado e, pelo menos para o meu gosto, esteve um passo além de suas principais adversárias (Vai-Vai e Rosas de Ouro), justamente por apresentar um tema bonito e cultural, sem o apelo demasiadamente comercial, tão imperativo no carnaval deste ano. Com o enredo “Ojuobá – No Céu, os Olhos do Rei... na Terra, a Morada dos Milagres... no Coração, um Obá muito Amado”, a Mocidade desfilou segura e soberana, guiada pelo oxé de Xangô, mergulhada no axé da Bahia e inspirada nas milagrosas tendas de Jorge Amado. Feliz, o povo cantou em oração: Mocidade Alegre campeã! Marcelo Guireli * Foto original: Uol “Saudadeando Vamos reviver Eu quero a bem da verdade Mergulhar no passado e sonhar...” Buscando riquezas, chegaram as treze naus de Portugal e entre “Assombrações” do velho e do novo mundo, a União da Ilha encantou a Sapucaí com um carnaval de Arlindo Rodrigues.  União da Ilha - 5º lugar em 1986 - Carro do leão do Imposto de Renda, uma das assombrações dos tempos modernos  No enredo de Arlindo Rodrigues, Regina Duarte simbolizou o amor. A divina luz de uma estrela nos iluminou. Vira, Virou, a Mocidade Chegou! Sob as bênçãos do Divino, revivemos grandes carnavais!  Contando sua história e projetando o seu futuro, a Mocidade sagrou-se campeã em 1990.  Lindas, as baianas desfilaram sob os símbolos da escola. Reluzindo entre ouro e lata, o povo vibrou e embalou o corpo. A loucura foi geral no genial “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”.  O luxo e o lixo das religiões mostrados na bonita alegoria de Joãosinho Trinta. Beija-Flor (vice-campeã em 1989) Num palco iluminado, o povo sorriu com Chico Rei, batendo palmas pro “Velho Guerreiro”, que o ano inteiro fazia o seu carnaval. Caprichosamente, Pilares contagiou o público e voltou entre as campeãs.  Abre-alas da Caprichosos de Pilares - Terceira colocada no desfile de domingo, em 1984, com o enredo: "A Visita da Nobreza do Riso a Chico Rei, Num Palco Nem Sempre Iluminado". Explodindo o coração na maior felicidade, embarcamos no Ita do Norte. Foi lindo ver o Salgueiro contagiar e sacudir toda a cidade.  Comissão de frente do Salgueiro, campeão do Carnaval 93 com o enredo: "Peguei um Ita no Norte". O tempo passou e lá veio raiz... Quanto requinte no casamento de Dom Pedro e da noiva escolhida: Carolina Josefa Leopoldina!  "Imperatriz Leopodinense Honrosamente Apresenta: Leopoldina, a Imperatriz do Brasil" 2º Lugar em 1996 A Terra, senhora de um mistério tão profundo, foi enfeitada com as 7 maravilhas deste mundo. Entre saias rodadas de negras baianas, a Beija-Flor brilhou como um monumento vivo e multicor!   Em 1981, a Beija-Flor apresentou o enredo: "Carnaval do Brasil, a Oitava das Sete Maravilhas", ficando classificada em 2º lugar. Nas fotos acima, as representações alegóricas da Estátua de Zeus e das Pirâmides do Egito. Em uma visão de aquarela, surgiu a Portela. No ABC dos orixás, Paulo, Natal e Clara, em um enredo sem igual, foram cantados com poesia e alegria em tempo de carnaval.  Abertura de "Contos de Areia", enredo que deu à Portela o 1º lugar no desfile de domingo, em 1984.   Com mais de 6.000 componentes, a Portela apresentou dezenas de alegorias, entre carros e tripés. Parece até que foi ontem... Cantando no azul do horizonte, brincamos e nos encantamos com a Vila Isabel.  Com um bonito enredo sobre a infância e seus personagens, a Vila alcançou o 3º lugar em 1985. E um buquê de poesia se espalhou pelo ar no brilho da Estácio a desfilar... E lá fomos nós na Paulicéia Desvairada!  Exaltando os 70 anos do modernismo no Brasil, a Estácio de Sá conquistou público e júri, sendo aclamada como a grande campeã de 1992. Deitamos numa rede de algodão para adormecermos nas crenças do Maranhão... Era a Mangueira que passava, com um carnaval alegre de Oswaldo jardim.  "Os Tambores da Mangueira na Terra da Encantaria" - 4º lugar em 1996 Vimos um gênio brasileiro rompendo barreiras e atravessando fronteiras para sua música despontar. Beleza e emoção não faltaram no carnaval da Mocidade em sua exaltação a Villa-Lobos.  "Villa-Lobos e a Apoteose Brasileira" - 4º lugar para a Mocidade Independente em 1999   A alegoria "Sôdade do Cordão" encantou o público. Atravessamos a ponte numa doce ilusão para querer um amanhã bem melhor. Com o Império Serrano celebramos um tempo de bonança. Era a “Dona Liberdade” que chegava. E junto a ela, a esperança!   Império Serrano 86 - Terceiro colocado com o enredo: "Eu Quero" Vestimos a fantasia para exaltar Caymmi e a velha Bahia. A lua se fez cheia e belo foi o cantar da sereia. Mangueira supercampeã!  "Caymmi Mostra ao Mundo o que a Bahia e a Mangueira Tem" - 1º Lugar em 1986  Jamelão, depois de um ano de ausência, voltou a cantar o samba na Avenida.   Dona Zinha e Adenaide Marinho - destaques da Estação Primeira Parecia que estávamos sonhando. Era tanta felicidade ao ver a Mocidade desfilando a sua grande Tupinicópolis.   1987 - Mocidade foi vice-campeã desfilando com a genial "Tupinicópolis", de Fernando Pinto Foi canto de alegria no ar! O Rio abriu as portas pra folia e a Portela passou revivendo a história do carnaval.  1995 - Portela vice-campeã com o enredo: "Gosto que me Enrosco" E lá veio a Viradouro! Coisa igual eu nunca vi. Fez-se o Big-bang de alegria na Sapucaí!  "Trevas! Luz! a Explosão do Universo", enredo da campeã Viradouro, em 1997 E a alegria ancorou na Passarela. O riso chorou de emoção, mas a tristeza nem pensou em chegar. Era a União da Ilha a desfilar...  Com o enredo "É Hoje", a Ilha alcançou o 5º lugar no Carnaval de 1982 Em nossos olhos brilhou a noite como o dia. A vida ficou mais feliz ao som do agogô e o Salgueiro desfilou bonito com o seu “Skindô, Skindô”.  1984 - Final do desfile do Salgueiro, 4º colocado no desfile de domingo E nas entrelinhas da história, com blá-blá-blá, mas sem bafafá, o Império Serrano cantou: “Quem foi malandro, é! Sempre será!”   1984 - Império Serrano 2º colocado no desfile de domingo De volta à realidade Vem aí mais um carnaval! E quem avisa amigo é: Não deixe o samba morrer E que o povo possa vibrar de alegria Ao cantar a sua poesia. Evoé! Marcelo Guireli *** Fotos: Revista Manchete, sendo que duas delas foram enviadas pelo amigo Fábio Santos Juca Martins Anibal Philot, sendo que duas delas (Mocidade 90 e Ilha 82) foram extraídas originalmente do blog do Aydano - O Globo - e depois trabalhadas em Photoshop Agência O Globo Corbis Argos  Não é de hoje que as escolas de samba celebram a Era de Aquarius. Segundo alguns astrólogos, esse tempo de amor e fraternidade teria começado no final da década passada, mas mostrará seus maiores efeitos daqui a 10, 20 ou até 50 anos. Tomara!
Mas como o assunto aqui é samba, estava lembrando que o tema já foi bastante abordado e discutido pelas nossas Escolas, principalmente nos anos 80 e 90.
Vila Isabel, em 1981, apresentou um enredo curioso sobre o assunto: "Dos Jardins do Éden à Era de Aquarius". Não deu muito certo, não! E pouca gente entendeu. Mas o samba era otimista e dizia que "o sol nos iluminará e que maravilhoso é o jardim ao qual iremos retornar". Dois anos depois, os carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo terminaram o enredo sobre a "Ressurreição das Coroas", da Portela, com o Rei Sol e a lembrança da Era de Aquarius, celebrando o novo tempo que para eles já havia começado. Aliás, os mesmos carnavalescos voltaram a finalizar um desfile com a mensagem de paz e amor emanada pelos domínios de Aquário sobre o Planeta. Foi na Mocidade Independente, em 1986, quando misturaram tudo em meio ao Cometa Halley, em uma proposta de difícil entendimento, mas bonita.
Em 1994, mostrando que a Era de Aquarius também despertará a criatividade, o carnavalesco Chico Spinoza finalizou seu enredo sobre a magia, na União da Ilha, com um carro alegórico confeccionado com centenas (ou seriam milhares?) de garrafas pet, proporcionando um visual dos mais interessantes. O mesmo carnavalesco voltaria a tratar do tema em São Paulo, no seu enredo para a Vai-Vai sobre o profeta Nostradamus. Alertando que o mundo não ia acabar no ano 2000 (E não acabou mesmo!), anunciou o clarear de um novo tempo de paz com a chegada do terceiro milênio. Para não me prolongar, termino lembrando que “o paraíso do futuro é aqui com a nova era que virá”. E como havia previsto Joãosinho Trinta em seu enredo bonito sobre o profeta Gentileza, que os novos tempos sejam de amor, com a suprema valorização da vida!
Marcelo Guireli Foto: 2001 - Grande Rio desfila com o enredo "Gentileza, o Profeta Saído do Fogo".  Preta velha imaginou... Era uma vez um menino pobre chamado João, que nasceu lá no Maranhão. Tal como um certo rei criança, esse menino era criativo e fantasiou o Reino de França em matas que se transformariam no Salão dos Espelhos. Sonhava o João em ser bailarino, mas chegando ao Rio de Janeiro quis o destino que, muito além de dançarino, o jovem encontrasse o Carnaval. E na Oitava das Sete Maravilhas, João fez famoso o sobrenome Trinta. A História do Carnaval Carioca nunca mais foi a mesma. Lá do céu, Eneida, envolta em amor e fantasia, deve ter sorrido feliz com o primeiro enredo de Joãosinho Trinta. No ano seguinte, entre candelabros palmeirais, lenda e assombração, o Salgueiro se fez campeão. Em 1975, o Rei Salomão revelou seu tesouro amazônico e o samba, pela primeira vez, ecoou entre pirâmides, zebras e tendas árabes. Até a Rainha de Sabá apareceu nesse cortejo que jamais se viu igual. Em Nilópolis, o carnavalesco reinou por 17 anos e fez sonhar o coração de muitos brasileiros. Em festa de real valor, mostrou que o palpite certo era Beija-Flor. Até a vovó chorou sentida ao relembrar os antigos carnavais, mas eis que ecoou um canto de alegria e Joãosinho Trinta era pentacampeão. Entrando no jardim das delícias pela porta da imaginação e iluminados pelo sol da meia-noite, Joãosinho Trinta comprovou que o Carnaval era mesmo a oitava maravilha! E nem mesmo a bruxa numa serpente poderia destruir tal magia. Eis então que brilhou uma grande constelação: Joãosinho sete vezes campeão! Esbanjando esplendor entre índios, selvas, mitos e negros que fizeram pulsar o coração da nação brasileira, a Beija-Flor revelou o passado e nos mostrou a Lapa de Adão e Eva. Sobrevoando a Passarela, a escola sacudiu a galera debaixo de tremendo temporal. Sábio, Joãosinho então nos disse: “estamos abençoados pela chuva, pela natureza, pela alegria da vida. Eu agradeço a Deus, a essa inteligência infinita...” Surgiu então de uma era distante a fascinante arte do teatro, e sob as mágicas luzes da Avenida, a Mãe Negra fez a festa e o povão se manifestou: estava presente a força de uma raça que pisou forte na Sapucaí. No final da década de 1980, o carnavalesco resolveu mudar tudo. Trocou o luxo pelo lixo sob o olhar do Cristo Proibido. A Beija-Flor reluziu em ouro ou lata, formando uma grande confusão. Nos anos seguintes, um ponto de luz surgiu e resplandeceu no caos, anunciando uma viagem ao Brasil das maravilhas. Mas cansado e magoado, Dom João Trinta afastou-se de seu reino encantado por um ano. Voltou em grande estilo sob o manto vermelho e branco de uma nova escola. Na Viradouro, contou a história de Tereza de Benguela. Na escola de Niterói, em meio a espantos debretianos e à Aquarela do Brasil, o carnavalesco voltou a surpreender. No balanço da mulata houve a explosão de alegria. Dom João Trinta era oito vezes campeão! O amor estava no ar... Conquistou nosso coração com Orfeu. Com a borboleta Anita, espelho da mulher brasileira, voamos ao oriente em busca da sabedoria. E entre visões de paraísos e infernos, o dia então raiou, espalhando um canto de amor pelo ar. E Joãosinho mudou-se novamente. Na Grande Rio, exaltou a Era de Aquarius e o Profeta Gentileza, anunciando um clamor de amor e paz. Voltando a buscar inspiração em sua terra natal, contou a história e as lendas do Maranhão. No ano seguinte, trazendo sonhos bordados em ouro, o carnavalesco levou a tricolor de Caxias à sua melhor colocação até então. E se a luz do sol brilhou e se separou da lua, Joãosinho deixou a Baixada e foi navegar em mares bravios na Vila Isabel. Era seu último trabalho como carnavalesco... Doente, Dom João Trinta não se entregou. Continuou a defender suas idéias, a batalhar pela cultura e pela própria vida. No último dia 17, seu coração iluminado infelizmente parou de bater. Ele então foi se juntar a uma grande constelação reluzente. E lá no céu, uma estrela brilhou, mas preta velha já falou: ele foi apenas viajar... Marcelo Guireli Foto: Desfile das Campeãs 1997 (O Globo)  Em homenagem aos 109 anos do saudoso poeta mineiro, transcrevo aqui as impressões de Drummond, publicadas originalmente em sua coluna no Jornal do Brasil, sobre os sambas das Escolas para o Carnaval de 1981: “O SAMBA-ENREDO ESTE ANO” Quais são, mesmo, as sete maravilhas do Mundo Antigo? Pergunta que, de longe em longe, se faz numa roda, e ninguém acerta na mosca. Lembrar quatro ou cinco maravilhas, ainda vai; seis é proeza. Um gaiato dirá que a sétima é a própria mulher-maravilha, mas em se tratando de erudição não é recomendável consultar os gaiatos. A Escola de Samba Beija-Flor resolveu o problema: lançou um samba-enredo em que elas são enumeradas, até com esclarecimentos. Os Jardins Suspensos da Babilônia, por exemplo, um rei os construiu com amor e, orgulhoso, à rainha os ofertou. A muralha da China, que de longe fascina, adverte que quem tem olho grande não entra naquele país. E o Farol de Alexandria iluminava até o infinito. Decorem a letra de Dicró, Picolé e Neguinho da Beija-Flor, e jamais se esquecerão desses dados históricos. A União da Ilha do Governador é nostálgica e nos transporta ao Rio do começo do século, num bonde de ceroulas, para ouvir a Aída no Municipal. Penetramos no Palácio do Catete e participamos de um sarau em que a primeira dama do país, D. Nair de Teffé, executa ao piano nada menos que o Corta-Jaca de Chiquinha Gonzaga, para grande escândalo do Senador Rui Barbosa, que da tribuna ruibarboseava (o termo é dos sambistas) contra a música popular brasileira, enquanto o pessoal corta-jacava bem gostoso num roçado. A União lembra ainda as cocotes, umas francesas espevitadas, que chamavam os cariocas de chéri e mon petit. Para maior compreensão do vulgo, traduziu-as para cocotas. Os autores são Barbicha, Franco, Dazinho e Jangada. Triunfalista de verdade é a Unidos de Vila Isabel, em que Jonas, Lino Roberto e Tião Grande anunciam a volta do homem ao Paraíso perdido, com a chama do progresso brilhando, e desvendados todos os segredos do universo. Irromperá um vendaval de alegria e a Vila Isabel, claro, estará presente. Mitavaí é o herói brasileiro exaltado no samba-enredo da Unidos da Tijuca. Basta dizer que ele é lavrador e vaqueiro, e está evidenciado o heroísmo, em confronto com a seca, as enchentes, o financiamento hipotético e o difícil transporte. Mitavaí, porém, não se satisfaz com a façanha contínua, e sai por aí a combater o monstro estrangeiro que com todo seu dinheiro quer calar a nossa voz. Com certeiro bote fere o monstro no cangote, mas quem disse que conseguiu matar o bicho ruim? Mitavaí, triste mas inconformado, jura que um dia voltará, e o samba conclui filosoficamente: o que hoje dá pra rir, amanhã dá pra chorar. A composição é de tanta sustância que para fazê-la se juntaram Azeitona, Celso Trindade, Nega, Ronaldo, Ivar, Buquinha e Edmundo Araújo Santos. Se não estourar é porque o monstro não deixa. Império Serrano rende homenagem a Pero Vaz de Caminha, o célebre eminente precursor dos nossos cronistas, mas Jorge Lucas e Edson Paiva fazem-lhe uma restrição: ele não viu o ouro e as pedras preciosas, riquezas do solo deste Brasil. Mas essas coisas acabaram sendo vistas, e até que Portugal tirou bom partido delas, quando Mitavaí ainda não iniciara sua penosa cruzada. O saudosismo de Ney Viana e Nezinho, na Mocidade Independente de Padre Miguel, chega a celebrar as grandes sociedades, de que ninguém sente falta. Acha o Zé Pereira uma beleza, a baiana que arrasta a sandália um espetáculo, e outras antiguidades veneráveis. Buguinho, Henrique e Mauro Torrão, em nome de Acadêmicos do Salgueiro, abraçam o Rio de Janeiro, desejando-lhe muitos anos de existência, o que faz supor que o Rio uma hora vai acabar, embora não seja já, como o verso de Casimiro de Abreu. E é uma pena, pois mulatas, poesia e humor fazem sua vida tão arteira e cultural. Não esquecendo que a República chegou sempre encantando o seu porte natural. Eu gostaria de ouvir cantar, em 1968, o samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, assinado por Jurandir, Comprido e Arroz: “Juscelino Kubitschek de Oliveira, de uma lendária cidade mineira, o grande Presidente popular. Surgiu Nonô em Diamantina e uma chama divina iluminou sua formação. Subindo os degraus da glória, imortalizou-se na História como Chefe da Nação, ô ô. Em sua marcha progressista o notável estadista o planalto desbravou. Brasília, o sonho dourado que ele tanto acalentou”. Naqueles tempos, ao comemorar-se o aniversário da jovem Brasília, era proibido pronunciar o nome do seu fundador. Hoje, até agrada ao Poder, que cultiva um remorso florido e monumental. A Imperatriz Leopoldinense, por seus porta-vozes Gibi, Serjão e Zé Catimba, saúda o grande Lamartine Babo,e o samba da Portela é todo um canto marítimo, imaginado por David Correia e Jorge Macedo. O mar rolou na dança das ondas, no verso do cantador. O carnaval segue mar afora. A espuma chega até a Avenida e arrasta o povo para o samba: a vida brincando. Aí estão, em revista, os samba-enredos das Escolas do Grupo 1A. Minha coluna é sem música, e as palavras perdem muito a seco. Mas que falta estão fazendo as verdadeiras marchinhas e sambas de carnaval, aquelas que não se fazem mais! Solução: recorrer às antigas, às clássicas, imortais no coração e na voz do povo. Carlos Drummond de Andrade Jornal do Brasil, 26 de fevereiro de 1981 * Veja fotos e comentários sobre o carnaval de 1981 no álbum: "Carnaval Carioca em Desfile - Anos 80"  O evento musical criado pelo empresário Roberto Medina, que teve sua primeira edição realizada há 26 anos, me fez lembrar dia desses da figura simpática de um carioca chamado Albino Pinheiro. Comentando o Carnaval 85 (que aconteceu três semanas após o termino do Rock in Rio) pela Rede Bandeirantes, ele esbravejou contra o que chamou de crime contra a cultura musical carioca, dizendo que além de outros males, o evento havia prejudicado a execução dos sambas de enredo nas rádios. O fato é que a mídia só passou a dar maior ênfase ao Carnaval daquele ano após o encerramento do Rock in Rio. Para ele, essa era a razão pela qual alguns sambas deixaram de ser mais cantados nos dias de desfiles: falta de divulgação. Curiosamente, o Carnaval 85 foi vencido pela Mocidade Independente, com seu fantástico enredo futurista: “Ziriguidum 2001”, do carnavalesco Fernando Pinto. Vinte e seis anos depois daquele mágico desfile fui surpreendido com a notícia de que a mesma escola terá em 2013 o “Rock in Rio” como tema. Aí me deu uma tremenda saudade do Fernando, que se vivo estivesse e tropicalista como era, mudaria de imediato o tema de 2013 para: “Samba in Rio”, num claro deboche à péssima idéia anunciada. Ah, Mocidade...  Muito chororô, broncas e discussões não faltaram após a apuração que deu o bicampeonato à Mangueira no carnaval de 1987. A escola não figurava entre as favoritas do público e nem dos críticos especializados após os desfiles daquele ano. Mesmo assim, recebeu várias notas máximas em quesitos em que se mostrou bastante fraca, como Alegorias e Adereços, e obteve o primeiro lugar. Chegou o dia do Desfile das Campeãs, que começou às 20h30 do sábado seguinte ao carnaval com a passagem dos blocos campeões: Unidos do Cantagalo e Alegria de Copacabana. As escolas de samba Tradição e Unidos da Tijuca, segunda e primeira colocadas no desfile do Grupo 2, se apresentaram na sequência. Já passava das 2h da madrugada de domingo quando o Império Serrano, terceiro colocado no desfile principal, iniciou o seu desfile. Depois, se apresentaram a Portela (3º lugar na classificação empatada com o Império) e a Mocidade Independente (vice-campeã). O sol brilhava forte e os relógios marcavam mais de 8h da manhã quando a Mangueira surgiu na armação. Foi recebida com vaias e arremessos de latinhas de cerveja por um público que não concordava com sua vitória. No entanto, foi só o velho e bom Jamelão começar a entoar os primeiros versos do samba em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade que o clima mudou. As vaias viraram canto e aos poucos, enquanto a escola movimentava-se lentamente em direção à Apoteose, a pista foi sendo invadida como poucas vezes se viu na história dos desfiles. Parecia que era todo o Rio que tomava forma de sambista, como dizia a letra do samba-enredo, e dançava junto com a Mangueira, que não conseguia abrir espaços para a sua passagem. Em determinado momento, Jamelão, nervoso, começou a gritar palavras de ordem contra a Riotur e a bagunça carnavalesca que tomou conta da pista de desfiles. De nada adiantou e o bololô foi tão grande que alguns destaques abandonaram seus carros alegóricos em pleno desfile e foram para o chão. Em meio à confusão generalizada, o desfile desenrolou-se até o final em mais uma grande festa carnavalesca, na qual povo, penetras e desfilantes esbanjaram alegria e fizeram a grande apoteose do Carnaval 87.  Final do Carnaval 87 na Marquês de Sapucaí Marcelo Guireli * Foto 1: Otávio Magalhães; Foto 2: Jornal do Brasil Era uma manhã ensolarada de março. E Arlindo Rodrigues nos disse: “Eu fiz as duas coisas: o luxo e o humor de Lamartine. E tenho certeza que dará um bom desfile.” Mais que isso, a Imperatriz fez um grande carnaval com o enredo "O Teu Cabelo Não Nega"  Abertura do desfile campeão de 1981 “Neste palco iluminado Só da Lalá És presente, imortal Só da Lalá!... Nossa escola se encanta O povão se agiganta É dono do carnaval...”  Com notas máximas, a bateria ajudou a escola na conquista do bi. *** Em verde e rosa, lindo carnaval, bela época quando o poeta floresceu... Homenageando Braguinha, capitaneada pela voz potente de Jamelão, a Mangueira realizou um desfile inesquecível no Carnaval de 1984.  Estação Primeira - Supercampeã no ano de inauguração da Passarela do Samba com o enredo "Yes, Nós Temos Braguinha"  “Carnaval... O povo vibra de alegria Ao cantar a tua poesia Será que hoje tudo já mudou Onde andará o arlequim tão sonhador? Chora pierrô, chora Se a tua colombina foi embora...” *** Noite de carnaval. E o palco dos desfiles era em nova avenida. O Salgueiro buscava no Maranhão a inspiração para o seu desfile campeão.  Salgueiro - Campeão de 1974 com o enredo "O Rei de França na Ilha da Assombração" “Contam que o rei criança Viu o Reino de França no Maranhão. Das matas fez-se o salão dos espelhos Em candelabros palmeirais...” *** Da imaginação e talento de um certo Viriato, a Portela desaguou na avenida como fonte. Eram as maravilhas do mar, das quais fez-se o esplendor de uma noite.  1981 - Portela 3ª colocada com samba antológico de David Correa e Jorge Macedo “Amor sorria, ôôô Um novo dia despertou. E lá vou eu Pela imensidão do mar Esta onda que borda a Avenida de espuma Me arrasta a sambar...”  A cantora Clara Nunes e a velha guarda em meio ao desfile *** Vencer era preciso. E se Cabral partiu de Portugal com destino às Índias, a Mocidade partiu para a sua primeira vitória ao iniciar o seu esperado desfile de 1979.   "O Descobrimento do Brasil" - Enredo de Arlindo Rodrigues que deu o primeiro grande campeonato à Mocidade Independente “Cabral, comandando as caravelas Ia fazer a transação com o cravo e a canela E de repente o mar Transformou-se em calmaria Mas deus Netuno apareceu Dando aquele toque de magia E uma nova terra Cabral descobria...” *** Terra, Lua, Sol, Bolas... O Mundo é uma Bola. Joãozinho, um gênio. A chuva lavou a alma dos sambistas de Nilópolis, que cantaram empolgados: “é milenar a invenção do futebol”  Beija-Flor 86 - 2º lugar “Brasil, Brasil, Brasil Canta forte e explode de alegria O mundo é uma bola Girando, girando Em plena euforia...”  No enredo "O Mundo é uma Bola", a lembrança dos grandes clubes cariocas “O meu Rio de Janeiro O ano inteiro é samba e Maracanã...” *** A coroa imperial girou para enaltecer a República em seu centenário. Linda, a Imperatriz superou o insuperável “Ratos e Urubus”, cantando "Liberdade, liberdade, Abre as Asas sobre Nós"  Imperatriz Leopoldinense - Campeã do carnaval de 1989 “Vem ver, vem reviver comigo, amor O centenário em poesia Nesta pátria mãe querida O Império decadente Muito rico e incoerente Era fidalguia...” *** Eu sonhei... E o amanhã, como será? Como vai ser o meu destino? Era a tricolor insulana, da carnavalesca Maria Augusta, enchendo de alegria a Rua Marquês de Sapucaí.  União da Ilha - 4º lugar em 1978 com o enredo "O Amanhã" “A cigana leu o meu destino Eu sonhei Bola de cristal Jogo de búzios, cartomante Eu sempre perguntei...” *** Valeu, Zumbi... Valeu, Vila Isabel! A Kizomba de Martinho entrou para a história em um desfile de superação. Foi a festa da raça negra nos 100 anos da Lei Áurea.  1988 - Vila Isabel conquista seu primeiro título entre as grandes escolas com o enredo "Kizomba, A Festa da Raça" “Vem a lua de Luanda Para iluminar a rua Nossa sede é nossa sede De que o Apartheid se destrua...” *** E por falar na raça negra, voltamos a 1983, quando uma grande constelação, formada por estrelas como Clementina de Jesus, Grande Otelo, Pelé e Pinah, brilhou sob o sol do meio-dia.  Clementina de Jesus, um dos destaques do desfile campeão da Beija-Flor “Ôôô yaôs, quanto amor Quanto amor... As pretas velhas yaôs Vem cantando em seu louvor...” *** Uma pequena notável sob o olhar de um artista grande e genial. Era 1972 e Fernando Pinto surpreendia o carnaval com “Alô, Alô, Taí Carmem Miranda”. Era o Império Serrano campeão depois de 12 anos.  “Uma pequena notável Cantou muito samba É motivo de carnaval Pandeiro, camisa listrada Tornou a baiana internacional...” *** Saudadeando o que sumiu no dia-a-dia, caprichosamente a escola de Pilares “botou fogo” na avenida.  Caprichosos de Pilares - 5º lugar no Carnaval de 1985 com o enredo "E por Falar em Saudade" “Onde andam vocês, antigos carnavais Dos sambistas imortais, bordados de poesia Velhos tempos que não voltam mais E no progresso da folia Tem bumbum de fora pra chuchu Qualquer dia é todo mundo nu...” *** Teve festa na Avenida: "Festa para um Rei Negro". E não houve quem não cantasse junto com o Salgueiro.  1971 - Salgueiro campeão “O-lê-lê, o-la-la, Pega no ganzê Pega no ganzá. Nos anais da nossa história Vamos relembrar Personagens de outrora Que iremos recordar...” *** “Praça Onze, Candelária, Sapecaí...” Da idéia original de Fernando Pamplona ao carnaval preparado por Rosa Magalhães e Licia Lacerda, o Império foi só alegria.  Império Serrano 82 - campeão com o enredo "Bumbum, Paticumbum Prugurundum | "Super Escolas de Samba S.A. | | Super alegorias | | Escondendo gente bamba | | Que covardia | | Bumbum Paticumbum Prugurundum | | O nosso samba minha gente é isso aí | | Bumbum Paticumbum Prugurundum | | Contagiando a Marquês de Sapucaí..." | *** Avançou no tempo e nas estrelas fez o seu ziriguidum. A Mocidade levou o samba ao espaço sideral e a sua estrela no céu brilhou. 
Carnaval 85 - Mocidade é campeã com o genial "Ziriguidum 2001", do carnavalesco Fernando Pinto | "Quero ver no céu minha estrela brilhar | | Escrever meus versos na luz do luar | | Vou fazer todo o universo sambar. | | Até os astros irradiam mais fulgor | | A própria vida de alegria se enfeitou, | | Está em festa o espaço sideral, | | Vibra o universo, hoje é carnaval..." *** Até a próxima viagem carnavalesca! Marcelo Guireli Fotos: Revista Manchete Jornal do Brasil Editora Globo Blog Quero ser Imortal |  Mesmo sem vencer desde 1984, a tradicional escola azul e branca de Madureira continua sendo a recordista em número de campeonatos: ao todo 21. Vejamos, porém, como anda o ranking geral na galeria das campeãs após o Carnaval 2011: 1º Portela – 21 vitórias 2º Mangueira – 18 3º Beija-Flor – 12 4º Salgueiro e Império Serrano – 9 6º Imperatriz – 8 7º Mocidade Independente – 5 8º Vila Isabel e Unidos da Tijuca – 2 10º Estácio de Sá, Unidos do Viradouro, Unidos da Capela, Vizinha Faladeira – 1 Percebemos através do demonstrativo acima que, de 1932 (ano do primeiro desfile organizado) a 2011, apenas 13 escolas obtiveram o título máximo do carnaval do Rio de Janeiro. E nos desfiles da era Sambódromo, apenas 3 escolas que nunca tinham sido campeãs antes de 1984 chegaram à primeira posição: Vila Isabel, Estácio de Sá e Unidos do Viradouro. Portanto, desde 1997 não temos uma nova campeã no Carnaval Carioca, apesar do título do ano passado da Unidos da Tijuca, que desde 1936 não conquistava o campeonato. E no Acesso... O desfile do Grupo A, outrora chamado Grupo 2, realizou-se pela primeira vez em 1952, na então remodelada Praça XI, e teve como primeira campeã a escola de samba Unidos do Indaiá, que ascendeu ao grupo principal. De lá pra cá, lá se vão 60 carnavais. Vejamos então como está a galeria das campeãs: 1º Estácio de Sá – 6 vitórias 2º Acadêmicos de Santa Cruz – 5 3º São Clemente – 4 4º Império da Tijuca, Unidos da Tijuca, Tradição e Império Serrano – 3 8º Unidos de Bangu, Caprichosos de Pilares, Unidos do Cabuçu, Em Cima da Hora, União da Ilha do Governador, Unidos de Vila Isabel, Porto da Pedra – 2 15º Unidos do Indaiá, Acadêmicos do Engenho da Rainha, Beija-Flor, Corações Unidos de Jacarepaguá, Flor do Lins, Mocidade Independente, Unidos de Padre Miguel, Unidos da Capela, Tupi de Brás de Pina, Lins Imperial, Arrastão de Cascadura, Unidos da Ponte, Unidos do Jacarezinho, Arranco do Engenho de Dentro, Unidos do Viradouro, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Villa Rica, Acadêmicos da Rocinha, Renascer de Jacarepaguá – 1  Fundada em 1955, com o nome de Unidos de São Carlos, a Estácio é a grande campeã do grupo. Venceu pela primeira vez em 1967, com o enredo “Lendas e Costumes do Brasil”. Ao longo de 60 carnavais, 33 agremiações já venceram a disputa no Grupo A, o que mostra uma democracia maior em relação à divisão principal. Com a criação do terceiro grupo, em 1960, e dos demais grupos nas décadas subseqüentes, participar do desfile do Grupo A, no Sambódromo da Rua Marquês de Sapucaí, pode ser considerado motivo de orgulho para várias comunidades de samba do Rio de Janeiro e vencer esse desfile não é tarefa fácil. Até a próxima! BEIJA-FLOR CAMPEÃ  No meio do ano passado, assim que ficaram definidas as posições de desfile, chamei a atenção para uma pequena coincidência e escrevi que a Beija-Flor sempre era campeã quando encerrava o desfile de segunda-feira. Isso havia acontecido em 2005, 2007 e 2008 e, para confirmar o tabu, voltou a ocorrer em 2011, quando a escola bem que fez por merecer, pois seus componentes cantaram com entusiasmo e fizeram uma bonita homenagem ao Rei Roberto Carlos. Ainda que o visual pudesse ser criticado (e eu faço coro aos que acharam alguns carros e alas de gosto duvidoso), a Beija-Flor mostrou um conjunto de Escola de Samba, onde canto, dança e samba foram elementos valorizados. OS CARNAVALESCOS EM NOTAS  Como tenho feito nos últimos anos, volto a separar os quesitos de responsabilidade direta dos carnavalescos para ter uma melhor idéia do desempenho de cada um deles. Vejamos, portanto, o que acontece levando-se em consideração apenas as notas válidas do julgamento de Enredo, Fantasias e Alegorias: 1º - Beija-Flor (Comissão de Carnaval) – 90 pontos 2º - Unidos da Tijuca (Paulo Barros) – 89,6 3º - Salgueiro (Renato Lage e Márcia Lage) – 89,2 4º - Vila Isabel (Rosa Magalhães) – 88,9 5º - Mocidade Independente (Cid Carvalho) – 88,3 6º - Mangueira (Mauro Quintaes e Wagner Gonçalves) – 88,0 7º - Imperatriz Leopoldinense (Max Lopes) – 87,9 8º - Porto da Pedra (Paulo Menezes) – 87,6 9º - São Clemente (Fábio Ricardo) – 86,9 Percebam que Cid Carvalho, da Mocidade Independente, não foi tão mal como dizem alguns. Pelo menos para os julgadores, e graças sobretudo às fantasias, a escola esteve em uma posição intermediária nos quesitos de responsabilidade direta do carnavalesco. Claro que, assim como o leitor, sei que esses três quesitos acabam interferindo no conjunto e que o trabalho do carnavalesco pode influenciar vários setores de uma escola, mas acredito que as observações acima sejam convenientes para tentarmos entender o peso dos carnavalescos na classificação geral. No caso da Mangueira, por exemplo, percebemos que um pouco mais de esmero na parte visual poderia levá-la a uma classificação ainda melhor. No entanto, faz-se necessário salientar, até por uma questão de justiça aos carnavalescos, que o orçamento da verde-e-rosa não parece ter sido dos maiores. ESTANDARTE DE OURO  A cobiçada premiação oferecida pelo jornal O Globo acabou consagrando o carnavalesco Alex de Souza como um dos grandes nomes do ano. Além do prêmio de melhor escola atribuído à União da Ilha, o enredo “O Mistério da Vida”, de autoria de Alex, foi eleito o melhor pelo júri de O Globo. Parabéns ao artista que soube superar um momento difícil e colocar sua escola na rua com a maior dignidade possível. A Ilha fez um belo desfile! E POR FALAR EM PREMIAÇÕES... Quando escrevia colunas para o site Sambario, sugeri ao webmaster Marco Maciel que simbolicamente passássemos a escolher os melhores do carnaval em vários segmentos e quesitos. Em 2011, elegemos a Vila Isabel como a melhor escola. Dêem uma olhada no site para a listagem completa dos vencedores. O link é o seguinte: http://www.sambariocarnaval.com RENATO E ROSA Como é bom assistirmos carnavais com assinatura. Estilo, em desfiles de escolas de samba, é algo que anda um tanto em falta em tempos de patrocínio, comissões e duplas pouco inspiradas. Mas em 2011, tanto Rosa Magalhães, carnavalesca da Vila, como Renato Lage, carnavalesco do Salgueiro, mostraram que seus estilos continuam encantando, quer seja pelo bom gosto ou pelo apuro no acabamento. Se Rosa Magalhães ficou devendo um pouco em criatividade no desenvolvimento de seu enredo capilar, por outro lado esbanjou competência na criação de figurinos e de alguns dos carros alegóricos mais bem acabados do ano. Já o Renato foi o carnavalesco mais criativo de 2011, ao desenvolver com maestria um enredo que deixaria feliz o super campeão Joãozinho Trinta. UM POUQUINHO DE SAMPA  Em um carnaval atípico, com frio de 17 graus, vento e garoa, o desfile paulistano correu sem grandes surpresas positivas. Ainda que um pouco desfalcada de sua costumeira garra, a escola de samba Vai-Vai emocionou ao homenagear o músico João Carlos Martins. Com justiça, levou a melhor na apuração, sagrando-se campeã, enquanto a Mocidade Alegre, mesmo voltando a desfilar muito bem, classificou-se em um modesto 7º lugar, por conta, principalmente, da quebra de uma de suas alegorias ainda na concentração. A campeã do ano passado, a tradicional Rosas de Ouro, perdeu-se na comissão de frente e o 8º lugar deve-se sobretudo ao atraso provocado pela demora na apresentação do grupo em cada uma das cabines de julgamento, o que fez com que metade da escola passasse correndo para não estourar o tempo. E POR FALAR EM COMISSÃO DE FRENTE... Em São Paulo, em linhas gerais, elas se apresentaram bem melhor que no Rio de Janeiro, onde o quesito foi pro espaço de vez! Os coreógrafos cariocas adotaram trambolhos alegóricos que prejudicam o conjunto e que nada tem a ver, em alguns casos, com o visual geral da escola. Além disso, diante do sucesso da comissão da Unidos da Tijuca no ano passado, muitos estão preocupados em trazer um toque de mágica para a apresentação, fazendo com que o espetáculo fique mais apropriado ao circo do que a Marquês de Sapucaí. PARA TERMINAR: ENREDO E FALTA DE ENREDO  Ainda tento entender por que o carnavalesco da Unidos da Tijuca esqueceu sua sinopse e desenvolveu um carnaval americanizado e sem compromisso temático. Apesar de todas as traquitanas pra lá de interessantes que levou à Passarela, o desfile foi vazio de conteúdo, prejudicando a possibilidade do bicampeonato para a simpática escola do Borel. Em contrapartida, a Mangueira, em sua bonita homenagem a Nelson Cavaquinho, provou que sua verdade musical e sentimental pode produzir um belo desfile. Foi emocionante! Sem o teor político da música do Chico e sabendo que o samba não é exclusivamente popular como em outras épocas, vai passar pelas ruas e avenidas desse nosso Brasil o que com sacrifício, dinheiro, trabalho e paixão foi construído durante um ano. As escolas de samba, nascidas cariocas e espalhadas por todo o país, dão os últimos retoques em suas alegorias, afinam seus surdos e aquecem seus tamborins. É quase chegada a hora de gritar: “É hoje!” Em São Paulo, dizem à boca miúda que três escolas disputarão o título: Rosas de Ouro, Mocidade Alegre e Vai-Vai. Mas por que não considerar que da terceira escola de sexta, a Tucuruvi (que no ano passado só não obteve pontuação máxima no quesito evolução), até a última de sábado, o Império de Casa Verde, várias escolas possam surpreender? Apesar da qualidade discutível de vários sambas, acredito que o desfile paulistano deva ser um dos melhores dos últimos anos, haja vista o que pude perceber no preparativo das escolas. No berço do samba, o Rio de Janeiro, expectativa para os desfiles da Marquês de Sapucaí. Mesmo com tantas mudanças ao longo dos anos e com a perda de várias tradições, as grandes escolas do Rio ainda atraem nossas maiores atenções durante os festejos de Momo, afinal quem não conhece a Mangueira e sua tradição em verde e rosa? Quem não conhece o azul e a águia da Portela ou o vermelho do Salgueiro? É tanta história que até mesmo os avessos ao carnaval sempre sabem de alguma coisa. Em 2011, entre repaginadas citações ao Rio e a volta de velhos homenageados, há espaço para a medicina, para os fios de cabelo e até para Darwin e os mistérios da vida. No entanto, nada deverá comover mais do que a Estação Primeira em sua exaltação a Nelson Cavaquinho. Há ainda a campeã do ano passado, a Unidos da Tijuca. Em meio ao horror cinematográfico proposto pelo seu tema, a criatividade de Paulo Barros superará o samba? Pode ser que o Salgueiro, cuja sinopse do enredo me faz lembrar os bons tempos de João Trinta e a sua fantástica “Lapa de Adão e Eva”, chegue a mais um campeonato. E o que esperar da Mocidade Independente, que parece estar se preparando bem para o desfile, apesar de ter um samba fraco? Entre reis do povo e reis ilustres, mesmo que o mar portelense não suba na linha do horizonte e deságüe como fonte, que nos encantemos com o que vai acontecer. E seja noite ou seja dia, que cada paralelepípedo da velha cidade (e o asfalto pintado de branco também!) se arrepie, afinal vai passar o samba, minha gente! Abraços e bom carnaval! Marcelo Guireli Se fosse em outros tempos, aqueles em que a paixão não se submetia às regras babacas, quase sempre criadas por gente medíocre, ainda estaríamos tristes com o incêndio ocorrido na Cidade do Samba no início da semana passada, mas certamente menos perplexos com a falta de hombridade e de conhecimento histórico dos dirigentes da LIESA e das escolas de samba. Para não me estender – e todos já sabem o que vem ocorrendo – apenas deixo registrado que o não julgamento das três agremiações atingidas pelo fogo pode, a priori, parecer um ato de benevolência, mas, a meu ver, revela um acordo de conveniência que, entre outras coisas, acabou com a tradição portelense de participar de todos os concursos, desde 1932: um crime contra a história desta agremiação, que nos é tão especial! Alguns colegas, porém, dizem que mais importante que a disputa é o carnaval em si, mas eles se esquecem que as escolas de samba cresceram e ganharam força exatamente pelo concurso criado no início dos anos 30. Finalizando, deixo a pergunta: pode ser considerada “campeã” a sexta colocada em uma disputa entre 9 escolas? Sinceramente, o Desfile das Campeãs, que foi “tomado” pela LIESA há mais de dez anos, deveria ao menos mudar de nome. Marcelo *Foto: quadro do pintor naif Joca Moreira: "Portela na Avenida" Criado em 1972, o Estandarte de Ouro do Jornal O Globo vem sendo o prêmio mais cobiçado pelos sambistas ao longo das últimas décadas. Às vésperas de sua quadragésima edição e com o cd do Carnaval 2011 já à venda em todo o país, relembremos as escolas premiadas pelo O Globo no quesito samba-enredo. GRUPO ESPECIAL 1º Portela – 7 Estandartes 2º Império Serrano – 6 3º Vila Isabel – 5 4º Mangueira e Imperatriz – 4 6º Beija-Flor – 3 7º Mocidade Independente, Estácio de Sá e Em Cima da Hora – 2 10º Salgueiro, Unidos da Tijuca, Viradouro e União da Ilha – 1  Portela 81- Das Maravilhas do Mar Fez-se o Esplendor de uma Noite (Estandarte de Ouro para o samba de David Corrêa e Jorge Macedo) Apesar da Portela ser a escola que mais vezes conquistou o prêmio de melhor samba-enredo no grupo principal, o Império Serrano é a escola que mais Estandartes de Ouro recebeu neste quesito ao longo dos anos, se considerarmos também a premiação oferecida aos melhores sambas do Acesso. A verde e branca da Serrinha conquistou 3 Estandartes de Ouro desfilando na segunda divisão e, ao lado dos Acadêmicos do Engenho da Rainha, da União de Jacarepagua e da Unidos do Cabuçu, é a escola que mais vezes recebeu esta premiação no grupo.  Império Serrano 83 - O samba-enredo "Mãe Baiana Mãe", dos autores Aluisio Machado e Beto Sem Braço, é premiado pelo juri de O Globo. Vejam o ranking geral, incluindo as escolas do Acesso: 1º Império Serrano – 9 Estandartes 2º Portela – 7 3º Vila Isabel – 6 4º Mangueira e Imperatriz – 4 6º Beija-Flor, Estácio de Sá, Unidos da Tijuca, Em Cima da Hora, União de Jacarepaguá, Cabuçu e Engenho da Rainha – 3 13º Mocidade Independente, Arranco do Engenho de Dentro, Lins Imperial, Unidos de Lucas, Santa Cruz, Unidos da Ponte, Acadêmicos do Cubango e Império da Tijuca – 2 21º Salgueiro, União da Ilha, Viradouro, Tupi de Brás de Pina, Caprichosos de Pilares, Arrastão de Cascadura, Canários das Laranjeiras, Boi da Ilha do Governador e Inocentes de Belford Roxo – 1  Ao longo desses quase 40 anos o compositor mais vezes premiado foi o imperiano Aluísio Machado, com 5 conquistas: Bumbum Paticumbum Prugurundum (1982); Mãe Baiana Mãe (1983); Eu Quero (1986); Império, um Ato de Amor (1993) e O Império do Divino (2006). Em relação ao próximo carnaval, embora surpresas possam acontecer e considerando o meu gosto pessoal, acredito que a Mangueira, em sua bonita homenagem a Nelson Cavaquinho, tenha o melhor samba entre as 12 escolas do Grupo Especial. Mas, como o júri de O Globo está bastante modificado em relação a sua seleta formação dos anos 70, 80 e 90, não seria surpresa se um samba mais marcheado vencesse a premiação. No Grupo A, Aluisio Machado pode conquistar mais um Estandarte, pois ele e seus parceiros compuseram um belo samba para o querido Império Serrano. No entanto, como a safra do Acesso é melhor que a da divisão principal, há alguns concorrentes à altura. A Alegria da Zona Sul, por exemplo, tem um dos melhores sambas do Carnaval 2011. Que os melhores vençam! Feliz Natal e um maravilhoso 2011 para todos nós! Na década de 30, a escola de samba Vizinha Faladeira era conhecida pelas inovações e pela modernidade que apresentava em seus desfiles. Campeã em 1937, seus foliões não esperavam que dois anos depois a agremiação fosse desclassificada ao apresentar o tema “Branca de Neve e os Sete Anões”. É que já naquela época havia a proibição de enredos estrangeiros. A Vizinha Faladeira enrolou a bandeira pouco tempo depois, só voltando a desfilar no final do século passado. ----------------------xxxxx----------------------- No desfile comemorativo do quarto centenário da cidade do Rio de Janeiro, o Salgueiro apresentou o enredo “História do Carnaval Carioca”, baseado no livro de Eneida de Moraes. Como o desfile era realizado na Avenida Presidente Vargas, o carnavalesco Fernando Pamplona distribuiu vários sacos de confetes para o pessoal dos edifícios a fim de que eles fossem jogados pelas janelas durante toda a passagem da escola. E isso de fato aconteceu, mas o problema é que ao final do desfile a pista ficou tão suja que a escola seguinte, a Portela, se recusou a entrar e seu presidente, Nelson de Andrade, exigiu que os garis varressem tudo e, de preferência, colassem no final do Salgueiro com suas vassouras em uma tentativa de atrapalhar a escola e irritar Pamplona, seu amigo. Mas a idéia não foi muito feliz, pois os julgadores, o público e a imprensa elogiaram o Salgueiro, dizendo que nem a quarta-feira de cinzas, com os garis limpando a cidade, havia sido esquecida pela escola. -------------------------xxxxx------------------------ Em 1987, o desfile do Grupo 2 foi realizado na sexta-feira. Tudo ocorria dentro da normalidade, até que os dirigentes da terceira escola, a Acadêmicos do Engenho da Rainha, se recusaram a iniciar o desfile alegando que o som estava ruim. A escola ambicionava o acesso ao grupo principal, já que nos dois anos anteriores havia figurado entre as melhores. Depois de muita demora e muita discussão, a escola só aceitou iniciar o seu desfile após a Riotur cancelar o julgamento do quesito harmonia. Mas tanto blá-blá-blá de nada valeu, pois o Engenho da Rainha, com o seu enredo “E o Rio Amanheceu Cantando”, não passou de um modesto sexto lugar. O atraso, porém, contribuiu para que o desfile das nove escolas que compunham o grupo terminasse por volta das 11h30 da manhã de sábado. Ilustração: Rose Braga (É o Carnaval) Marcelo  “TUPINICÓPOLIS” “E a oca virou taba A taba virou metrópole Eis aqui a grande Tupinicópolis...” Dando continuidade à lembrança de enredos que marcaram época no carnaval do Rio, hoje visitamos “Tupinicópolis”, a metrópole indígena criada pelo genial Fernando Pinto para o desfile da Mocidade Independente, em 1987. Dizia o enredo de Fernando que Tupinicópolis tinha sua origem na justa demarcação das terras indígenas, onde foram descobertas imensas riquezas naturais, que foram industrializadas e comercializadas pelos próprios índios. Assim, as ocas se multiplicaram e as tabas se agigantaram, nascendo Tupinicópolis, a grandiosa cidade índia do terceiro milênio.  Na manhã de terça-feira de carnaval, quando a Mocidade apareceu na cabeceira da pista com uma “Taba de Pedra” formando o seu abre-alas, o público já sabia que um grande desfile estava para acontecer. E assim o cotidiano da imaginária cidade futurista desfilou sob o encantamento dos espectadores, através de alas e carros que representaram o “Shopping Boitatá”, a “Farmácia Raoni”, a “Discoteca Saci”, o “Cassino Eldorado” e tantos outros atrativos tupinicopolitanos.  O desfile dos 5.000 componentes da Mocidade foi espetacular, mas o samba composto por Gibi, Chico Cabeleira, Nino Batera e J. Muinhos, não chegou a empolgar tanto quanto a criatividade de Fernando Pinto. Na tumultuada apuração do dia seguinte, a escola alcançou o vice-campeonato, mas seu desfile entrou para a história como um dos momentos mais brilhantes do carnaval carioca. Marcelo Fotos: Corbis  Em meio ao clima de Copa do Mundo (e eu bem que avisei que a nossa seleção não empolgava), a LIESA definiu no último dia 30 a ordem dos desfiles do Grupo Especial para o próximo carnaval: DOMINGO 21h – São Clemente 22h22 – Imperatriz Leopoldinense 23h44 – Mocidade Independente 1h06 – Unidos da Tijuca 2h28 – Vila Isabel 3h50 – Mangueira SEGUNDA-FEIRA 21h – União da Ilha 22h22 – Salgueiro 23h44 – Portela 1h06 – Grande Rio 2h28 – Porto da Pedra 3h50 – Beija-Flor O curioso dessa ordem, para aqueles que acreditam em superstições e coisas do gênero, é que a Beija-Flor sempre foi campeã quando encerrou o desfile de segunda-feira (2005, 2007 e 2008), mas coincidência à parte, o que valerá mesmo é o empenho de cada escola em realizar grandes desfiles, apesar de alguns enredos tão decepcionantes já anunciados.
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